6 Nations – HISTÓRIA E ANALISES
Neste sábado será dado o pontapé inicial do mais tradicional e antigo torneio internacional que existe, o 6 Nations , em 1871 Inglaterra e Escócia fizeram o primeiro jogo internacional de rugby, durante 12 anos ocasionalmente se enfrentaram ,até que em 1883 foi criado um torneio chamado Home Internacional Championship , ou Home Nations, em que participaram Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales.
Esse formato perdurou até 1910, quando a França definitivamente entrou na competição, nesse momento foi criado o Five Nations, que com interrupções na primeira e segunda guerras mundiais foi jogado anualmente até 1999, a partir de 2000 a Itália passou a participar da competição, e com ela o novo nome de 6 Nations.
Na temporada 2009 a Grande Campeã foi a Irlanda, um feito histórico , por ser um torneio de apenas 5 rodadas jogado em aproximadamente 50 dias qualquer tropeço pode ser fatal!


A equipe a ser batida na temporada é a atual campeã, a Irlanda, especula-se que após a espetacular campanha de 2009 é onde se joga o melhor rugby europeu. Vejamos : 2008 – Munster, campeão da Heineken Cup, 2009: Leinster campeão da Heineken Cup e Irlanda campeã do 6Nations.
De fato os números impressionam, as conquistas mostram que essa geração de jogadores é acima da média e que qualidade não falta, aliada a um publico fanático e dirigentes que sabem trabalhar.
Mas quando o assunto é 6 Nations todo o favoritismo fica para segundo plano, os jogos são muito acirrados, a tabela de jogos pode ser um fator decisivo, nesta edição a Irlanda não tem a melhor das tabelas pois enfrenta França e Inglaterra que são seus concorrentes diretos fora de casa, alem disso a história centenária entre as equipes nivela por cima a competição.
O treinador Declan Kidney sabe que terá que inovar, variar, modificar, a mobilidade a cada partida será fator decisivo para as pretensões da Irlanda na competição.

A França é sempre favorita em qualquer competição, ainda é uma equipe em formação, evidente que o foco da comissão técnica é a RWC2011, mas resultados sempre são importantes, inclusive para a manutenção da própria comissão.
Apresentar-se bem no 6 Nations é o mínimo exigido pela entusiasmada torcida francesa, o objetivo de um monstro do rugby mundial como a França em qualquer competição é vencer.
Passo a passo a equipe vai mostrando um padrão, a oscilação natural pela formação do elenco é que pode trazer problemas para a talentosa equipe, na contra-partida a tabela deste ano os coloca frente a Irlanda e Inglaterra dentro de casa, e algo que os franceses sabem fazer valer é jogar nos seus domínios, apesar de sempre enfrentar problemas contra a Inglaterra.
Marc Livremont parece gostar da idéia da dupla Parra/ Trinh-Duc nas camisas 9 e 10, assino embaixo, apesar da juventude são talentos emergentes e caso consigam se firmar na equipe podem levar a França a vôos mais altos.

A Inglaterra de Martin Johnson ainda não empolga, continua com um padrão de jogo excelente, tem jogadores do melhor nível mundial, é uma equipe experiente, tem tudo para deslanchar, mas até agora pouco mostrou para chegar como uma das candidatas ao título.
Mas como falar do 6 Nations sem falar da Inglaterra? A maior vencedora do torneio ( 25 vezes) sempre deve ser apontada como candidata ao título, aliás algo que a Seleção Inglesa sabe trabalhar muito bem é exatamente essa condição, chegar desacreditada na competição, deixar os holofotes para outros conjuntos e quando ninguém da muita importância ela vence e convence.
Históricos e tradições á parte, a equipe padece muito das atuações de Wilkinson, que para felicidade geral parece voltar a sua melhor forma, porem a equipe precisa encontrar caminhos alternativos, a meu ver a grande figura desse processo é o apimentado scrum-half Danny Care, jogador diferenciado que pode ser o grande articulador dessa equipe, para isso Care precisa ter maior controle de suas ações, é jovem, brilhante, um dos maiores talentos surgidos na atualidade do rugby Inglês, caso consiga desenvolver todo o seu potencial na seleção vejo enormes oportunidades de título à terra da rainha.
A tabela para a Inglaterra é equilibrada, enfrenta Gales e Irlanda nos seus domínios, o jogo contra a França fora de casa será o diferencial , por ser na ultima rodada da competição pode até eventualmente significar a disputa pelo título.

Para quem chegou na competição do ano passado como favorito, e na verdade decepcionou , Gales ocupa hoje uma posição apenas intermediaria nas bolsas de apostas e até nas pesquisas.
A pergunta que fica : A equipe campeã de 2008 desaprendeu? Será que o treinador Waren Gatland perdeu a liderança sobre seus jogadores? Ou será que apenas as coisas não saíram dentro do esperado na temporada passada?
Bem, essas perguntas podem ser respondidas dentro de campo pelos jogadores e comissão técnica, qualidade à equipe não falta, talentos até de sobra tem o elenco, é fato que a perda dos dois camisas 9, Phillips e Pill farão diferença no desempenho da equipe, alias fariam diferença em qualquer seleção do mundo.
Entendo que o ano passado mostrou o quanto pode oscilar a seleção de Gales, por isso o trabalho da comissão técnica deve versar sobre os porquês de tamanha inconsistência, detectando a causa as coisas podem mudar radicalmente, até porque se falarmos de elenco a Seleção de Gales pode ser considerada uma das melhores do mundo, categoria, habilidade, velocidade são as marcas dessa excelente geração de jogadores.
A tabela deste ano não é das melhores para a equipe, enfrenta fora de casa Irlanda e Inglaterra, e nesse jogos sabe que pode ficar pelo caminho rumo ao título.

Inegavelmente a Escócia tem feito progressos nos últimos tempos, se na edição do ano passado os prognósticos eram muito negativos, nesta temporada as coisas parecem estar melhores.
A chegada de um novo treinador, os bons jogos realizados em novembro, dão a sensação que finalmente os escoceses vão apresentar um rugby mais condizente com toda a sua tradição.
Também é uma equipe que vem sendo montada, tem um elenco muito forte fisicamente, joga num padrão defensivo espetacular, padece ainda de maior poder de ataque.
De qualquer forma pode surpreender com seu jogo de força, será um adversário muito difícil de ser batido dentro de casa, a tabela os coloca nos seus domínios frente à França logo na primeira rodada e na penúltima enfrenta a Inglaterra, pode ser o fiel da balança na competição.

A Itália do treinador sulafricano Nick Mallet vai na toada do conta-gotas, a cada ano apresenta uma melhora, o importante é que essas melhoras parece que vem para ficar, o rugby italiano como um todo evolui com consistência.
Ainda é cedo para falar em grandes sonhos, a perda do Capitão Sergio Parisse por contusão é fator preocupante, por outro lado a força de seus forwards, principalmente no fixo tem sido exaltada no mundo inteiro, afinal de contas quem coloca os All Blacks para trás, como fez a equipe italiana em novembro ultimo tem que ser respeitado, falta muito, mas a construção de uma nação vitoriosa no rugby parece estar muito bem programada na velha bota.
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DOS JOGOS:
SABADO, 06/02
às 12h30 - Irlanda x Itália (ao vivo na ESPN HD, VT às 17h na ESPN)
às 15h00 - Inglaterra x País de Gales (ao vivo na ESPN e ESPN HD)

Quero saber sua opinião: qual é a melhor seleção e quem vai ser o grande campeão?

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Antonio Martoni Neto, advogado, radialista , treinador de rugby e comentarista dos Canais ESPN !